ESPECIAIS ON(D)E?


Contrariamente ao mito instituído, que nos leva a crer na estima enorme que José Mourinho nutre pela própria pessoa, ao chegar ao Chelsea e durante uma conferência de imprensa em que decidiu começar a impor o seu estilo aos desconfiados britânicos, o treinador português não disse, efectivamente, que era o Special One. Perante uma pergunta bem direccionada, como aquelas bolas de golfe que estão agora na moda no futebol português, que o questionava acerca da razão de ter sido o escolhido para ocupar o cargo, José Mourinho disse acreditar ser a Special One e não o Special One. Tenho de concordar no entanto que a lenda é muito mais saborosa e porque não dizê-lo assenta-lhe que nem uma luva, neste caso que nem uma chuteira.

Vem isto a propósito da tomada de posse do Presidente da República, acontecimento político que dominou o dia de ontem, com intervenções do próprio e dos outros, ou seja de quem falou e de quem ouviu o que parece que o presidente quis dizer, mas não disse, para depois se falar do que ele devia ter dito e disse mesmo, enfim uma confusão. Salta-me ao pensamento (sim, também sou daqueles que o pensamento anda, por estes dias, aos saltos) uma análise de um (dos muitos) político que acusava o presidente de não ter feito uma intervenção de fundo a lembrar por exemplo Camões. Com todo o respeito que o poeta me merece, neste momento em que a nossa divida pública está a beijar os 8% (ainda há pouco o ministro das finanças tremia ao falar de 7%) e em que se falam de cortes de salários e aumentos de impostos, falar dos Lusíadas era sem sombra de dúvida aquilo que eu estava a espera de ouvir da boca do nosso presidente. Depois lembrei-me que há um bom par de anos, era este senhor primeiro-ministro e não sabia ao certo quanto cantos tinha esta obra e fiquei a pensar “se calhar foi por isso…”.

Mas voltando ao especial e derivados tenho uma proposta que me parece talvez interessasse difundir para que, com a ajuda de todos, a pudéssemos implementar e quem sabe melhorar. Passo a explicar, a minha ideia passaria muito por levar a nossa classe política a trabalhar em terras de sua majestade, onde os portugueses, ao que parece, se tornam especiais da noite para o dia, para depois num futuro próximo os reclamar, como reclamámos o Special One para a Selecção de todos nós. Podia não funcionar mas pelo menos depois dos ingleses ainda haviam italianos e espanhóis a levar com esta, digamos, especialidade, e nós teríamos mais tempo para ler sonetos de Camões e fazer das conversas de café intervenções de fundo, que do fundo, já agora, percebemos nós.

 

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