CAVALO DADO


“Campanha de doação de alimentos teve adesão de 10 mil restaurantes, mas poderá não passar do papel lei que obriga a taxar IVA sobre pratos oferecidos.”

In DN 11 de Março (http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1802541)

 

Tenho em casa uma caixa cheia de coisas que já não me interessam e que agradecia, me levassem com a mesma vontade que eu tenho em me desfazer delas. A facilidade com que chamamos coisas aos nossos tesouros assusta-me, ainda ontem dava voltas à cabeça para justificar o investimento e hoje dou por mim a perder a paciência, o desejo e até o nome que as ditas tinham. É nestas alturas que tenho saudades dos sótãos que povoavam a minha infância, quando até as coisas que já ninguém queria tinham valor. É perdermo-nos na nostalgia de um tempo em que as pessoas, ao que parece, sabiam poupar, muito por culpa também de não terem quase nada o que, em última instância é uma grande motivação e incentivo para amealhar.

Tenho lá por casa um saco cheio de abafadores o que, para quem já não se recorda muito bem, eram aqueles berlindes mágicos que abafavam os outros (menos os papa-mundos e os papa-universos, acho eu). E o que tem isto a ver com cavalos? Nada, exactamente tanto com o preço que os restaurantes, que aderiram àquela campanha de doação de alimentos, se comprometeram a cobrar pelas respectivas refeições. E o que tem isto a ver com berlindes? Muito. Ao voltarmos a pensar que somos os maiores só porque andamos com o bolso cheio de abafadores, num ápice descemos à terra quando um chico-esperto qualquer (neste caso um fisco-esperto) aparecer, sem se saber muito bem de onde, com um par de papa-qualquer coisa e nos deixar no mínimo, papados e (neste caso) quase mal pagos.

É quase hora de almoço e estava a pensar em ir a casa, mas confesso que tenho algum receio, não vá o ministro das finanças aparecer-me á porta a pedir-me o imposto do ovo que estava a pensar em estrelar e da sopa que a minha avó me fez ontem. Pensando bem vou ali ao Shopping comer um hambúrguer, mas vou sozinho, que os tempos não estão para andar a gastar dinheiro em almoços fora, mas muito menos estão para andar a comer à pato (ou cavalo) em nossa própria casa.

 

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