UM AVIÃOZINHO MILITAR


“…atirou uma bomba ao ar em que terra foi parar?” E lá se passava mais uma tarde, daquelas em o tempo parecia não ter asas, como possui agora, e em que as tardes pareciam ser do tamanho do Autocarro do Sport Lisboa e Benfica, grande o suficiente para não evitar bater, teimosamente, em pedras e calhaus, com especial incidência para estes últimos, a cada nova viagem ao norte do país. E assim num instante, estava eu a pensar em falar da Líbia e do bom que é existirem americanos no mundo para resolverem todos os nossos problemas, e dou por mim a dissertar acerca das violências inerentes ao facto de se colocarem vinte e dois marmanjos a correr atrás de um esférico, num espaço mais ou menos similar àquele que os romanos em tempos idos utilizavam com um fim quase ele, também similar, entretenimento.

Confusão total. Guerra, Líbia, Benfica e Romanos… Pontos de contacto? Bem vamos por partes. Primeiro, não havia guerra na Líbia, mas já lá morava um senhor chamado Kadafi e ao que parece, ninguém se importava muito com isso. Aliás devo dizer que faz parte do imaginário da minha infância o D’Artacão e os 3 Moscãoteiros, bem como os americanos a rebentarem coisas na Líbia por causa, lá está, do Kadafi. Conclusão os anos passaram e das duas uma ou o homem foi de férias e só agora voltou ou então os americanos tiveram muito para fazer e só agora arranjaram um tempinho para voltar a “arrebentar coisas” por aquelas paragens. Segundo ponto, a guerra na Líbia é tramada mas, ser escravo na Roma Antiga era, ainda assim, algo que, acredito, nenhum Líbio deseje a um americano e vice-versa (ou talvez não). E porquê, bem sem pensar muito, eram aqueles tempos em que os leões andavam por ai a comer pessoas a torto e a direito e as outras pessoas, neste caso as que não eram comidas, se limitavam a bater palmas e empanturrar-se de entretenimento.

Confesso que, no parágrafo anterior, me tinha ocorrido falar de um terceiro ponto mas padeço da mesma memória dos americanos, ou então talvez me tenha apenas apetecido saltar para a conclusão que anda aqui sem saber, tal como o avião, a que terra ir parar. Mas sigamos o nosso pequeno “lamiré” ao quotidiano e guerra aqui e guerra ali, comentadores e coisas que tal e num ápice tudo eclipsado, apenas porque alguns “calhaus” se lembraram de ir praticar aquela musiquinha do aviãozinho militar para um qualquer viaduto, sabendo neste caso em particular, onde vai a pedrinha parar.

Pois é, estranhos são estes tempos em que os leões já não comem ninguém, em que a águia americana anda pelas Líbias e arredores a repor a ordem (pelo menos a deles) e em que ficamos a saber que a águia do Benfica, neste caso o autocarro anda pelo norte a fazer colecção de pedras e de calhaus. Ao que parece a guerra segue daqui a duas semanas, eu sinceramente espero que não, porque não pago meu bilhete para ver mais do que uns pontapés na bola… Mas agora de repente, lembrei-me, neste tempo de crise, com ou sem parvoíces pelo meio, eu não pago o bilhete, ponto final. Agora os americanos que me venham cá convencer do contrário.

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