A METAMORFOSE


Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de insecto.”
A Metamorfose, Franz Kafka

Esta semana ofereceram-me um livro. Eu, que gosto bastante de ler, confesso publicamente que os livros sempre me fascinaram, principalmente quando são de cheques, dos outros e, claro está, endossados a mim. No momento em que escrevo este pequeno texto, lembro-me perfeitamente de que um dia me ofereceram um livro do Bill Gates e a minha imaginação, por segundos, fez de mim um homem rico. Afinal era mesmo um livro do Bill Gates e não qualquer garantia bancária para fazer de mim um português de um género cada vez mais raro… com dinheiro, entenda-se.

Neste ponto, julgo que estaremos de acordo, senão acerca dos livros, pelo menos com relação à desilusão que pode advir de uma alteração de contexto ou, de um ruído, que nos atire dos braços da fortuna, para a dura realidade de, para além de não ter as mãos cheias de dinheiro, ter em alternativa as mãos cheias de um papel, que quando muito, apenas nos vai deixar mais informados, atentos e preparados, enfim mais vulneráveis à real compreensão do mundo que nos rodeia. Ai que saudades das fogueiras onde se queimavam esses marotos todos… Alguém ouviu alguma vez falar em depressões na Idade das Trevas?

Por falar em depressão, ando há um bom par de dias, ou semanas (já não me recordo bem), para abordar uma temática que me deixou deprimido e, possivelmente, a ver vamos, mais pobre de espírito. Então não querem lá ver que o Fernando Nobre despertou, certa manhã, de um sonho agitado e viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de insecto? Agora confesso que me entusiasmei, não queria chamar insecto ao senhor, muito menos utilizar um adjectivo tão forte mas, quando se lê Kafka corre-se o risco de ficar assim, já quando se lê o Tio Patinhas, ao que parece, deixa-se imediatamente de ser independente e vai-se a correr escolher um partido de acordo com a nossa ideologia ou em alternativa, liderado por um homem por quem sintamos afinidade.

Nesta altura, estando já o leitor deprimido, por solidariedade ou apenas por ser leitor destas palavras, cabe-me relembrar a candidatura da cidadania à Presidência da República. E porquê? Porque a mim não me enganou o Fernando Nobre, com aquele tom de voz, meigo, a fazer lembrar o Avô Cantigas, a mim não que não votei nele, estando por isso neste momento a rir-me dos não sei quantos por cento que tiveram a triste ideia de fazer a cruzinha à frente do nome da pessoa que se prepara neste momento, para no próximo dia 5 de Junho colocar uma cruz em cima de todos os seus (ex) apoiantes (Ah pois. Porquê? Pensaram que eram donos do destino do homem?).

E como já é tarde (entenda-se quase uma da manhã e não tarde demais para recuperar do nobre choque a que fomos sujeitos), é nestas alturas que dou graças por me ter lembrado de ir fazer o cartão de cidadão. E deixo aqui um pequeno segredo, quando tentei votar no Fernando Nobre, não consegui porque o tal cartão não me deixou. Eu explico. O cartão teimou em dizer que eu tinha de ir votar numa freguesia onde nunca residi e eu assim também para o teimoso,não fui. Mas não faz mal, porque agora meus amigos, não tenho de andar para aí a engolir em seco, sendo que posso sempre optar por um tom de sabedoria e afirmar “eu bem dizia”. Ai grande inovação tecnológica este cartão… e por falar em metamorfoses, a mim transformou-me num gajo que nunca votou Fernando Nobre… e depois ainda dizem mal do Sócrates.

 

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