UMA IDEIA SIMPLES


O amor é um tempo.
Ignora a razão de ser
que há nos ritmos e passos
largos, como tardes minúsculas
que se escondem
em bolsos vazios.

O afecto dos dedos, perdidos
na pele arrepiada das virgens,
pode ser uma contradição.
Corrigimos os sons
se os pudermos compreender.

Farto em espaço,
porém ausente em sentido,
o amor inventa propósitos
e outros caminhos,
estradas onde os pés
surgem, quase sem pedir.
Ilusões, como pinturas
de suor e corpos ébrios.

Os segundos. Aqueles segundos
são a face da outra moeda,
aquela que comprou
vinte e muita rosas
e um dia inteiro
com a força das impossibilidades.

Afastados do tempo
o lugar e as mãos
afogam o pensamento.
E a prova dos nove diz onde errámos.

Tomou-se o odor do espetáculo,
quase um sem fim de lamúrias.
Desculpas que amargaram
o desenho daquele dia.

Os traços encontram-se desafinados,
Brincou-se tanto ao faz de conta
que há um lugar
para descansar da tarde
que foi nossa.
Uma ideia simples
que agarrámos com as duas mãos.

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